sábado, 21 de agosto de 2010
IMPRESSÕES
“... Eu já sabia que a rapaziada não aprovava a convicção intelectualizada de que as crianças só podem amar e apreciar quem se relaciona com eles amorosamente, quem as trata com carinho. Já havia muito tempo que eu me convencera de que o maior amor e o maior respeito por parte das crianças, pelo menos de crianças como as da nossa colônia, são demonstradas para com outro tipo de pessoa. Aquilo que nós chamamos de alta qualificação, conhecimentos nítidos e seguros, capacidade, arte, mãos de ouro, poucas palavras e total ausência de pose, disposição constante para o trabalho – eis o que mais fortemente atrai as crianças.
Podemos ser, com elas, secos ao último grau, exigentes até a implicância, ignora-las mesmo que fiquem em volta de nós, podemos mesmo mostrar indiferença pela sua simpatia, mas se soubermos brilhar pelo trabalho, saber, sucesso, não precisamos ficar preocupados: elas estarão todas do nosso lado e jamais nos desapontarão. Não importa em que campo se manifestem esses nossos talentos, tanto faz quem sejamos: marceneiro, agrônomo, ferreiro, professor, maquinista.
E, ao inverso, por muito que seja afável, divertido na conversa, bondoso e gentil, por muito simpático que se seja no fazer e no lazer, se o seu trabalho vem acompanhado de insucessos e de fracassos, e fica evidente a cada passo que a pessoa não conhece o seu ofício, se tudo nas suas mãos termina errado ou defeituoso, jamais ela ganhará nada além de desprezo, às vezes condescendente e irônico, outras vezes irado e esmagadoramente hostil, ou ainda marotamente mordaz.”
(MAKARENKO, Anton Semiónovitch. Poema pedagógico Vol. 01 – pág.225. editora brasiliense 3ª edição)
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